CdM #13: Prova de fogo (Jucá e seus segredos)

juca-temerHoje o dia começou com emoção para o governo interino de Michel Temer, que se viu diante de uma verdadeira prova de fogo há menos de 10 dias de seu início, com mais um caindo no quadro “grampo da PF”. O sortudo da vez foi o ministro e senador Romero Jucá, em uma conversa que não deixa dúvidas a ninguém, “batom no colarinho”. Eu particularmente gosto muito desses grampos vazados, pois poucas coisas mostram a política em sua forma visceral tão bem quanto uma conversa oculta que se torna pública.
Antes de proceder com minha análise do grampo e seus desdobramentos, é importante ter em mente que quem conversa com Jucá na gravação é Sérgio Machado — ex-presidente da Transpetro e afilhado do presidente do Senado Renan Calheiros — e ele se dispôs a gravar conversas em troca de delação premiada, o que altera um pouco a leitura. Ou seja, suas falas são calculadas e intencionais — pois ele sabia que estava sendo gravado e queria fazer Jucá entregar o ouro — enquanto as de Jucá são espontâneas. Na minha opinião isso tira um pouco boa parte do ardor midiático de alguns trechos da conversa, mas ainda assim não deixa margem de manobra para que Jucá se esquive a ponto de manter-se ministro. Não estou dizendo que tudo que Machado afirmou é mentira, mas que não é por essa conversa que julgaremos sua veracidade. Por isso são nos trechos de Jucá que focarei.

Infelizmente o áudio não foi divulgado, mas a transcrição disponíveis você encontra nesse link.
Eu copio do link acima toda a transcrição, destacando as partes que acho mais interessantes e minimizando o restante. Não sei se a formatação ficará boa, mas foi a forma que pensei ser melhor para analisar.

Grampo comentado pelo Mercador

O PRIMEIRO TRECHO:

Sérgio Machado – Acontece o seguinte, objetivamente falando, com o negócio que o Supremo fez [autorizou prisões logo após decisão de segunda instância], vai todo mundo delatar.
Romero Jucá – Exatamente, e vai sobrar muito. O Marcelo, e a Odebrecht, vão fazer.

Quando vi que condenados passariam a cumprir pena já na segunda instância me senti aliviado. Posso dizer que sofri com isso na minha própria família, vendo pessoas nitidamente culpadas utilizando recursos jurídicos para postergar a punição.
Busquei ler sobre o tema, dado que à época a repercussão dos advogados foi grande, e então me senti confortável e em concordância com a decisão do STF.
Importante ressaltar que o medo de Sérgio Machado e Romero Jucá não se limita a eles. Reportagens pequenas ganham pouca repercussão entre tantas bombas diárias, mas lembro o leitor que Wadih Damous, deputado do PT (não me diga!), apresentou projeto para restringir delações premiadas e reverter a decisão do Supremo sobre prisão em segunda instância. Ressalto isso apenas para lembrar a todos que não é necessário aplicar um golpe de Estado para melar uma investigação criminal, basta um deputado disposto a isso. Após Waldir Maranhão, já vimos que há deputados dispostos a tudo, não é mesmo?

Machado – Odebrecht vai fazer.
Jucá – Seletiva, mas vai fazer.
Machado – A Camargo vai fazer ou não. Eu estou muito preocupado porque eu acho que… O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho.
Jucá – [inaudível]
Machado – Hum?
Jucá – Mas como é que está sua situação?
Machado – Minha situação não tem nada, não pegou nada, mas ele quer jogar tudo pro Moro. Como não tem nada e como eu estou desligado…
Jucá – É, não tem conexão né…
Machado – Não tem conexão, aí joga pro Moro. Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu “desça”? Se eu descer…
Jucá – O que que você acha? Como é que voc…
Machado – Eu queria discutir com vocês. Eu cheguei a essa conclusão essa semana. Ele acha que eu sou o caixa de vocês, o Janot. Janot não vale “cibazol” [algo sem valor]. Quem esperar que ele vai ser amigo, não vai… […] E ele está visando o Renan e vocês. E acha que eu sou o canal. Não encontrou nada, não tem nada.
Jucá – Nem vai encontrar, né, Sérgio.
Machado – Não encontrou nada, não tem nada, mas acha… O que é que faz? Como tem aquela delação do Paulo Roberto dos 500 mil e tem a delação do Ricardo, que é uma coisa solta, ele quer pegar essas duas coisas. ‘Não tem nada contra os senadores, joga ele para baixo’ [Curitiba]. Tem que encontrar uma maneira…

Jucá – Você tem que ver com seu advogado como é que a gente pode ajudar. […] Tem que ser política, advogado não encontra [inaudível]. Se é político, como é a política? Tem que resolver essa porra… Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria.

A gravação aconteceu em março desse ano, antes da votação do impeachment. Jucá via uma esperança — e imagino que ele não estava sozinho — de que uma transição de governo fosse acalmar os ânimos na Lava Jato, o que tem se mostrado dia após dia um ledo engano. Aliás aqui ressalto que só os bandidos e/ou os PTistas (incluo aqui seus satélites) acham isso, pois para mim está claro que a Lava Jato já é maior que o próprio governo de Dilma e Temer juntos, contando com o amplo apoio da população civil que mobilizou milhões de pessoas, e que foram gratuitamente às ruas com as cores da bandeira não por amor ao PMDB, ou porque sonhavam com Temer presidente, mas sim porque apoiavam e apoiam a Lava Jato signifique isso o que for.
O trecho que grifei custou o cargo de Jucá e talvez macule definitivamente sua vida política. Contra tais palavras não há distorção suficiente para esboçar justificativa. A opção seria aceitar isso e seguir em frente, como foi feito no caso do grampo do Mercadante oferecendo “ajuda” a Delcídio, ou retirar Jucá do cargo, que é o que de fato aconteceu.

Machado – Tem que ser uma coisa política e rápida. Eu acho que ele está querendo… o PMDB. Prende, e bota lá embaixo. Imaginou?
Jucá – Você conversou com o Renan?
Machado – Não, quis primeiro conversar contigo porque tu é o mais sensato de todos.
Jucá – Eu acho que a gente precisa articular uma ação política.
Machado –…quis conversar primeiro contigo, que tenho maior intimidade. Depois eu quero conversar com Sarney e o Renan, com vocês três. […] Eu estou convencido, com essa sinalização que conseguiu do Eduardo [incompreensível]. Desvincula do Renan.
Jucá – Mas esse negócio do Eduardo está atacando [incompreensível].
Machado – Mas ele [Janot] está querendo pegar vocês, tenho certeza absoluta.
Jucá – Não tem duas dúvidas.
Machado – Não, tenho certeza absoluta. E ele não vale um ‘cibazol’. É um cara raivoso, rancoroso e etc. Então como é que ele age? Como não encontrou nada nem vai encontrar. [inaudível]
Jucá – O Moro virou uma ‘Torre de Londres’.
Machado – Torre de Londres.
Jucá – Mandava o coitado pra lá para o cara confessar.
Machado – Pro cara confessar. Então a gente tem que agir como [incompreensível] e pensar numa fórmula para encontrar uma solução para isso.
Jucá – Converse com ele [Renan], converse com o Sarney, ouça eles, e vamos sentar pra gente…
Machado – Isso, Romero, o que eu acho primeiro: que é bom pra gente.

O SEGUNDO TRECHO DA CONVERSA:

[…]Jucá – Eu acho que você deveria procurar o Sarney, devia procurar o Renan,e a gente voltar a conversar depois. [incompreensível] ‘como é que é’.
Machado – É porque… Se descer, Romero, não dá.
Jucá – Não é um desastre porque não tem nada a ver. Mas é um desgaste, porque você, pô, vai ficar exposto de uma forma sem necessidade. […]
Machado – O Marcelo, o dono do Brasil, está preso há um ano. Sacanagem com Marcelo, rapaz, nunca vi coisa igual. Sacanagem com aquele André Esteves, nunca vi coisa igual.
Jucá – Rapaz… [concordando]
Machado – Outra coisa. A frouxidão de vocês em prender o Delcídio foi um negócio inacreditável. [O Senado concordou com prisão decretada pelo STF]
Jucá – Sim, pô, não adianta soltar o Delcídio, aí o PT dá uma manobra, tira o cara, diz que o cara é culpado, como é que você segura uma porra dentro do plenário?
Machado – Mas o cara não foi preso em flagrante, tem que respeitar a lei. Respeito à lei, a lei diz clara…

Jucá – Pô, pois então. Ali não teve jeito não. A hora que o PT veio, entendeu, puxou o tapete dele, o Rui, a imprensa toda, os caras não seguraram, não.
Machado – Eu sei disso, foi uma cagada.
Jucá – Foi uma cagada geral.

Sei que o tema não é tão pertinente ao post, mas na minha opinião aqui está um dos maiores erros políticos do PT em toda sua trajetória na Lava Jato. Até o momento todo presidiário ganhava status de herói, como foram os casos de Dirceu e Vaccari, e Delcídio não achou que com ele seria diferente. Certamente enclausurado achava que sairia do cárcere direto para os braços de uma multidão vestida de vermelho, gritando todos “Delcídio guerreiro do povo brasileiro!”.
Delcídio viu, com a ajuda do pessoal da PF mostrando uma mídia de Lula o esculachando no almoço da CUT, que valia dedo no olho e tiro nas costas; ficou inconformado e resolveu abrir a boca. Anos de serviço “ao projeto” foram para o ralo com uma declaração dada entre alguns goles de refrigerante, sendo que talvez duas ou três mensagens SMS teriam contornado o tema.
Esse é um caso clássico do mundo corporativo. Às vezes o funcionário está disposto a dar a vida, a família e os finais de semana em troca de um tapinha nas costas, que quando não vem cria um monstro irremediável. Onde estava o RH do PT?

Machado – Foi uma cagada geral. Foi uma cagada o Supremo fazer o que fez com o negócio de prender em segunda instância, isso é absurdo total que não que não dá interpretar, e ninguém fez nada. Ninguém fez ADIN, ninguém se questionou. Isso aí é para precipitar as delações. Romero, esquentou as delações, não escapa pedra…
Jucá – [incompreensível] no Brasil.
Machado – Não escapa pedra sobre pedra.
[incompreensível]
Machado – Eu estou com todos os certificados do TCU, agora me deram, não devo nada, zero. E isso adianta alguma coisa? Então estou preocupado.
Jucá – Não, tem que cuidar mesmo.

Machado – Eu estou preocupado porque estou vendo que esse negócio da filha do Eduardo, da mulher, foi uma advertência para mim. E das histórias que estou sabendo, o interesse é pegar vocês. Nós. E o Renan, sobretudo.
Jucá – Não, o alvo na fila é o Renan. Depois do Eduardo Cunha… É o Eduardo Cunha, a Dilma, e depois é o Renan.

O “negócio da filha do Eduardo” é uma menção à tentativa de Cunha de colocar sua família sob foro privilegiado, mais uma das várias tentativas de alvos da Lavo Jato de se esconderem embaixo da toga do STF. Não deu certo, a palhaçada estava ficando muito escancarada e o pessoal do STF resolveu dar uma segurada.
Que o próximo alvo é Renan não se trata mais de uma opinião. Se houve três alvos, agora só sobrou um, ele.

Machado – E ele [Janot] não tem nada. Se ele tivesse alguma coisa, ele ia me manter aqui em cima, para poder me forçar aqui em cima, porque ele não vai dar esse troféu pro Moro. Como ele não tem nada, ele quer ver se o Moro arranca…
Jucá –…para subir de novo.
Machado –…para poder subir de novo. É esse o esquema. Agora, como fazer? Porque arranjar uma imunidade não tem como, não tem como. A gente tem que ter a saída porque é um perigo. E essa porra… A solução institucional demora ainda algum tempo, não acha?
Jucá – Tem que demorar três ou quatro meses no máximo. O país não aguenta mais do que isso, não.

Machado – Rapaz, a solução mais fácil era botar o Michel.
Jucá – [concordando] Só o Renan que está contra essa porra. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto, porra.
Machado – É um acordo, botar o Michel, num grande acordo nacional.
Jucá – Com o Supremo, com tudo.
Machado – Com tudo, aí parava tudo.
Jucá – É. Delimitava onde está, pronto.

A motivação geral nessa parte é a mesmo daquele trecho acima onde Jucá esperava “estancar a sangria”. A novidade aqui é uma nova menção ao Supremo, que está com sua moral bem baixa diante da sociedade brasileira graças primeiro à lerdeza em temas críticos, segundo pela postura dos investigados diante da Corte.
Eu tinha um professor que dizia o seguinte: “O aluno é como o elétron, busca o caminho de menor impedância”. Raciocínio semelhante pode ser aplicado aos políticos. Estão todos correndo ao STF porque entendem ser uma decisão mais nobre, ou porque acreditam que lá suas chances são melhores?
Não é o primeiro áudio vazado que menciona acordo ou conversas com o Supremo, Delcídio afirmou que “Dilma costumava repetir que tinha cinco ministros no STF”. Ora, se os políticos só podem ser julgados pelo Supremo e se a Corte é indicada pelo presidente que por eles será julgado, alguém esperaria algo diferente?
Lembremos também que trata-se de um grupo de 11 pessoas que não foram eleitas por ninguém, mas indicadas a dedo, que podem anular leis ou mudar dramaticamente sua interpretação, como vimos no caso da “pílula do câncer” e das doações de pessoas jurídicas a campanhas eleitorais. Não precisamos ir longe, aqui perto na Venezuela de Maduro — a democracia mais autoritária que temos notícia na atualidade — já foi demonstrado que aparelhar a Suprema Corte é uma das alternativas para controlar o legislativo.
Não insinuo aqui que nosso STF esteja totalmente aparelhado, porém dado que há mentes doentias cujo “projeto” é dominar o Estado para garantir hegemonia no poder, é tolice imaginar que esse tipo de tentativa não seja ventilada constantemente.

Machado – Parava tudo. Ou faz isso… Você viu a pesquisa de ontem que deu o Moro com 18% para a Presidência da República?
Jucá – Não vi, não. O Moro?
Machado – É aquilo que você diz, o Aécio não ganha porra nenhuma…
Jucá – Não, esquece. Nenhum político desse tradicional não ganha eleição, não.

moro-tucano-veja-globoMachado – O Aécio, rapaz… O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…
Jucá – É, a gente viveu tudo.

Eu não mencionaria essa parte porque não vejo relevância ou informação nova, mas como cita Aécio resolvi não pular, senão capaz que fizessem uma foto minha com um tucano e o logotipo da Veja.
Machado sabia que estava sendo gravado, então se soubesse mais sobre o suposto esquema acredito que ele teria dito algo do tipo “Jucá, lembra do esquema do Aécio em Furnas na eleição de 2000 e pouco?”. Como não falou, não acho que saiba muita coisa. Jucá deu um veja bem, ou escondeu o jogo.
Reitero, não estou afirmando que Aécio é santo ou eu coloque a mão no fogo por ele, mas esses parágrafos acima não me chamam a atenção, assim como os que mencionam Cunha e Renan.

Resultado das gravações de Jucá

Eu classificaria a gravação de Jucá no nível Mercadante. Em um país normal seria o absurdo do século, mas depois de Delcídio oferecendo avião para fuga e Dilma mandando motoboy levar termo de posse para impedir prisão preventiva do Lula, não é qualquer coisa que me impressiona mais. No entanto isso não muda a reação que devemos ter diante desses posicionamentos vergonhosos, por isso não vi alternativa a Temer senão afastar Romero Jucá da equipe presidencial.
Confesso que pessoalmente já guardei simpatia pelo ex-ministro, mas nada além disso. Lugar de transgressores dessa ordem não é no governo, e penso que uma prisão preventiva caberia muito bem.

Temer e sua prova de fogo

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Temer agiu bem quando se ausentou pela manhã, a cagada já estava feita e seria uma boa hora para ver como agiria sua oposição (PT e satélites) e se algum partido de sua base aliada rebelaria-se com facilidade. Novamente agiu bem retirando Jucá no mesmo dia, antes que o sol se pusesse sobre a dúvida. Depois de prometer para o Brasil que demitiria ministros que cometessem irregularidades, afastar Jucá era o mínimo que poderia ser feito, mas no Brasil o mínimo já é um diferencial e tanto.
Caso Temer se comportasse como Dilma se comportou, mantendo ministros após acontecimentos de tal porte, seu governo não duraria mais um mês. Os bastidores já se organizavam para, caso Temer insistisse, toda a pressão popular iria novamente se mobilizar às ruas. Se um governo instituído não suportou a pressão, um interino não duraria um mês.

PTistas saem do armário

Nos tempos do politicamente correto, ter opinião e escolher o lado parece motivo de vergonha. Como ser humano normal entendo que a imparcialidade absoluta não existe, mas deve haver em todos que se propõem a emitir opinião pelo menos a retidão de discurso, vulgo coerência. Nesse quesito não há nada igual ao petista enrustido, que destila moralidade enquanto insiste em defender o indefensável.
Quando Lula foi grampeado, com ou sem Dilma do outro lado da linha, o frenesi foi generalizado. Teve professor da USP pedindo que Moro fosse preso, repúdio de Dilma contra “arma política”, representação contra Moro no CNJ protocolada por deputados, além do choro nas redes sociais dizendo que aquilo era um absurdo. Pouco importava o conteúdo da gravação, criminoso foi quem gravou e o demônio era quem divulgava. Corroboraram com isso muitos dos quais saíram às ruas dizer que Moro — personificando a Lava Jato — era golpista, na verdade um instrumento burguês contra um governo que só fez ajudar os pobres.

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Deputada Moema Gramacho (PT-BA) mostrando seu apoio à Lava Jato

O PT sempre odiou a Lava Jato, só não viu quem não quis. Tentou colocar ministro para aparelhar a Polícia Federal, atacar as delações premiadas, as prisões preventivas, as conduções coercitivas, dossiê contra Moro. Agora ressurgem todos como arautos da moralidade, dizem que o cidadão que gratuitamente se manifestou na sua varanda batendo panelas é na verdade um golpista enrustido desprovido de conhecimento histórico. Pelo amor de Deus, que essa gente acorde e crie vergonha, quem está contra a Lava Jato? Se trocar de governo acabasse com a Lava Jato, Dilma teria renunciado! Só para mim isso é óbvio? Por que acham que ela está lá se virando do avesso para governar um país que a odeia, por amor à democracia que Cuba, uma ditadura, julga estar ameaçada? Ou porque sabe que a devassa virá elevada à décima potência e precisa minimizar isso, além de usar a máquina para eleger um sucessor?
Falam de Temer, Jucá e companhia como se tivessem descido de avião para o poder, com o objetivo único de destruir o que até ontem estava garantido. Parece que se esqueceram, mas Temer até 10 dias atrás era vice-presidente e não líder da oposição, e PMDB foi base aliada na eleição. Henrique Meirelles, atual ministro da Fazenda, foi ministro da Fazenda de Lula. Esse governo interino parece muito mais Lula 1 do que qualquer coisa! O que está aí não é uma caravana liberal, mas parece algo assim porque Dilma afundou tanto o pé na lama que perto dela qualquer coisa salta aos olhos.
Temer não é, nem nunca foi nossa vontade. Graças às eleições de 2014 — cuja “inauditável” apuração secreta presenciada por apenas 23 pessoas elegeu Dilma — e aos crimes de responsabilidade fiscal cometidos por ela, Temer tornou-se a única opção possível em 2016.

Jucá guerreiro do povo brasileiro? Textão no Facebook contra grampo de alguém com foro privilegiado? Alguém saiu nas ruas defender Romero Jucá? Deu tempo de sair na Paulista ou Temer o retirou no mesmo dia? Pediram prisão do jornalista da Folha que divulgou o material?
Espero que os órfãos do impeachment guardem o rancor para um suposto golpe cuja narrativa foi redigida pelo STF e corroborada por técnicos do TCU. Quanto à moralidade cívica dos cidadãos em verde e amarelo não há palavra contrária.

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Próximos passos

Diz a boca miúda que há mais por vir, e até Sarney teria com o que se preocupar.
Se depois de tudo Sarney for preso só depois de velho, Moro ganhará um busto no STF.
Que o exemplo de Jucá fique para os outro ministros. Quem urinar fora da bacia pagará o preço.

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